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Maio/2017 - Toni Sando

Basta de opiniões, vamos à execução

“E aí, esta feira foi boa?”
“Estes eventos falam sempre a mesma coisa!”
“Por mim, teria apenas uma feira por ano.”
"Ah, o turismo é a ‘indústria sem chaminé’, que gera renda e emprego...”
“Precisamos divulgar o Brasil!”
“Agora vai!”
“bla, bla, bla!”

Esses pensamentos expressos com um expresso, às vezes supérfluos, são muito comuns no setor de turismo e eventos, que convivemos em nosso dia a dia. Mas há muitos outros, principalmente no cenário político e da economia, de quem vai, quem fica, de quem foi e de quem será.

Infelizmente, tudo acaba sendo feito de forma muito superficial, como ler notícias de um elevador e achar que já sabe o que aconteceu por completo. Pessoas sem profundidade de causa se sentem qualificadas para dar sua opinião sobre tudo e todos – e buscam relevância sobre o vazio de suas ideias. É o resultado de uma equação que surge da ausência da percepção de que cada um é, na verdade, especialista apenas sobre seu próprio negócio.

Como diria Umberto Eco, muitas pessoas estão passando das meras conversas de bar para as redes sociais, com a convicção de um especialista sobre tudo e todos.

Voltando para o nosso segmento, cada player na cadeia produtiva de turismo, viagens e eventos tem a sua função essencial e de sobrevivência. Ou seja, é o promotor de feiras quem sabe se a feira gerou negócios ou não. É o organizador de eventos e seus parceiros que entendem se o modelo empregado é o ideal para se ter visitantes, compradores ou congressistas. É o administrador do hotel quem tem conhecimento do que precisa ser melhorado em seu estabelecimento, sua política tarifária, seu posicionamento de marcas e os serviços oferecidos; e assim vale para todo o mercado de profissionais especializados e empresários atentos a cada dia para não morrerem.

É a experiência e o know how somados à ação no momento certo.

Hoje, há profissionais, consultores, curadores e ferramentas sofisticadas, que analisam, pesquisam e estudam os fatores para revelarem os melhores resultados e tendências. Não há decisão sem argumentos e números. Então, não é por meio do superficial, de comentários e sugestões sem fundamentos colocados em redes sociais, que surgirá a real solução. Importante destacar que não se trata de feedback dos próprios clientes dados pelas mídias digitais ou pesquisas consistentes – esses sim, fundamentais para melhoria de produtos e serviços.

Se cada um mergulhasse a fundo no seu negócio, no seu mercado, na sua atuação, todos contariam com um setor muito mais promissor. É o caso, por exemplo, da velha pauta de que o turismo não tem números, dita às vezes por representantes de entidades que não possuem os seus próprios dados, ou de representantes do Governo dizendo o que o Governo precisa fazer, desconsiderando que, no momento, ele é o próprio Governo.

O fato é que as pessoas ficam todo o tempo olhando para fora, ao invés de olhar para si. Há muitos que criticam o sistema, sem perceber que o próprio sistema no qual se insere está defasado, assim como gestores que se esquecem de cumprimentar ou perguntar ao recepcionista ou atendente, perdendo assim a chance de obter conhecimento do cenário sob o ponto de vista de quem é responsável pela primeira impressão do seu cliente.

Foco na qualidade do produto e nas exigências de um novo consumidor. Pesquisar, selecionar leituras com qualidade editorial, ficar conectado em conhecimento e fazer as mudanças que o mercado exige a cada dia. É atender bem, investir na qualificação profissional e desenvolver interesse em qualquer campo especifico.

Muitas vezes, quem expõe suas opiniões como sérias e verdadeiras em um evento, por exemplo, não está sequer no auditório, absorvendo o conteúdo ou atento às oportunidades de negócios. Cai na tentação de apenas postar uma self para ter a sensação de dever cumprido.

O certo é saber o porquê de sua presença em cada lugar e momento. Seja em uma feira, congresso, evento, hotel, restaurante, não importa. O que mais interessa é o objetivo sobre cada relação criada. Só assim se pode virar o jogo, observando os movimentos e ficando atento às mudanças.

Se o mundo é volátil, é preciso uma visão bem definida e clara; se é incerto: conhecimento e informação; se é complexo: simplicidade; e se é ambíguo: agilidade.

O mercado, passo a passo, não é mais aquilo que foi um dia e nem nós somos os mesmos. Ele é novo, atento e exigente, assim como nós, no papel de consumidores e clientes. Está na hora de evoluir e pensar que o mundo não é mais o mesmo.

E que também precisamos mudar, para não ficarmos para trás.


  • Toni Sando

    Toni Sando

    Presidente Executivo do São Paulo Convention & Visitors Bureau

*Presidente Executivo do São Paulo Convention & Visitors Bureau, Toni Sando tem em seu currículo graduação em Administração de Empresas pela Universidade São Judas Tadeu (USJT), cursou pós-graduação em marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), e tem MBA em gestão empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Seu histórico profissional inclui destacadas atuações nas áreas de operações, marketing, produtos e negócios no mercado financeiro (bancos Noroeste, Nacional e Unibanco). Durante sete anos dedicou-se à área de marketing da Accor Hotels na América do Sul.

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